CLDF: parecer da Procuradoria sobre Robério é esperado para hoje

A Procuradoria-Geral da Câmara Legislativa deve emitir parecer, nesta segunda-feira (17/06/2019), sobre o caso do deputado Robério Negreiros(PSD). A partir do documento, a Mesa Diretora decidirá se dará continuidade ao pedido de cassação contra o parlamentar, protocolado em 5 de junho pela organização não governamental Adote um Distrital.

Robério é investigado por falsidade ideológica pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Contas do Distrito Federal (MPC-DF) por assinar folhas de ponto de sessões plenárias mesmo estando fora do país.

A Procuradoria-Geral analisa a regularidade dos documentos e encaminhará parecer à Mesa Diretora, que decidirá sobre o prosseguimento ou não do processo.

A reunião que analisará se o pedido será acatado ou arquivado ainda não foi marcada pelo presidente da Casa, Rafael Prudente (MDB). Na última quarta-feira (12/06/2019), um parecer chegou a ser entregue para a Mesa Diretora, mas foi devolvido à Procuradoria-Geral para ajustes.

A cassação de mandatos na Câmara Legislativa, contudo, não é habitual. Desde a fundação da Casa, em 1990, apenas três distritais foram afastados do cargo por decisão de colegas em plenário: Carlos XavierEurides Brito e Raad Massouh.

Atualmente, José Gomes (PSB) teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), mas continua no cargo à espera de julgamento de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi acusado por funcionários da empresa Real JG Serviços Gerais de coação para que votassem nele em outubro de 2018. As denúncias foram reveladas pelo Metrópoles.

Carlos Xavier

O primeiro caso de cassação da história da Casa foi o do ex-distrital Carlos Adão Xavier. Ele foi acusado de mandar matar o suposto amante da esposa em 2004, ano em que teve o mandato cassado em plenário. A vítima tinha 16 anos.

Em novembro de 2018, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski determinou que Carlos Xavier responda pelo crime de homicídio em liberdade, apesar de ele ter sido condenado, em segunda instância, a 15 anos de prisão. O político nunca foi detido, está foragido desde a determinação de sua prisão, ainda em 2016.

Eurides Brito

O maior escândalo de corrupção da política local, a Caixa de Pandora, resultou em uma cassação: a de Eurides Brito. O escândalo estourou em 2009 e levou à prisão o então governador, José Roberto Arruda. No ano seguinte, Eurides teve o mandato cassado em plenário.

Outros 10 colegas que também foram acusados de receber propina em troca de apoio parlamentar renunciaram antes da conclusão dos processos de cassação. São eles: Leonardo Prudente, Júnior Brunelli, Roney Nemer, Benedito Domingos, Aylton Gomes, Odilon Ayres, Rogério Ulysses, Pedro do Ovo, Berinaldo Pontes e Benício Tavares.

Em abril de 2019, Eurides foi condenada, em segunda instância judicial, a cumprir pena de 8 anos e 4 meses de reclusão por corrupção passiva.

Raad Massouh

Em 2013, houve a cassação de Raad Massouh. Ele havia sido acusado de ter desviado emendas parlamentares liberadas em 2010 para eventos culturais da Administração Regional de Sobradinho. O mesmo caso foi a julgamento em 2018 no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), e o ex-distrital foi inocentado das acusações.

Segundo relatos de ex-colegas de parlamento de Raad, ele perdeu o mandato muito mais em função da relação conturbada que tinha com os demais deputados do que devido às acusações em si.

O que diz Robério

Em nota, Robério Negreiros disse “entender como saudável qualquer manifestação democrática de qualquer entidade”. “No entanto, refutamos qualquer tentativa de fazer parecer má-fé um erro formal que está sendo apurado e que será devidamente esclarecido no tempo certo e pelas instâncias competentes”, completou.

Robério Negreiros afirmou ainda que está tomando providências para comprovar que não descumpriu a lei. “Estamos levantando todas as informações corretas e os memorandos prévios da Casa de pedido de justificativa e eventuais falhas nos fluxos, para fins de esclarecimentos”, concluiu o deputado, que encontra-se de licença médica.

Rito na CLDF

Os pedidos de cassação seguem ritos previstos no Regime Interno e no Código de Ética da CLDF. O primeiro passo é protocolar a denúncia formal, que pode vir de iniciativa popular ou mesmo de um dos distritais, desde que não seja anônima. A etapa seguinte é a recepção, pela Mesa Diretora. Antes, porém, é de praxe que haja uma consulta à Procuradoria Geral da Casa, que avalia se o pedido cumpre os requisitos legais e dá um parecer técnico.

Com todos os requisitos presentes, o processo volta às mãos dos cinco membros da Mesa Diretora. Caso a análise seja pela admissibilidade, a decisão é lida em plenário e os prazos começam a ser contados.

Formalizada a denúncia, o pedido de abertura de processo segue para a Corregedoria. O distrital acusado deve ser notificado para que em até 10 dias apresente sua defesa ao corregedor da Casa.

Entregue a defesa, o corregedor tem até 15 dias para apresentar um parecer preliminar, que deverá ser entregue à Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Ética e Decoro Parlamentar (CDDHEDP).

O colegiado, formado por outros cinco distritais, se reúne e sorteia um relator para o caso. Ele deverá novamente notificar o deputado acusado, que terá prazo de 30 dias para apresentar defesa.

Depois, a CDDHEDP terá outros 30 dias, prorrogáveis pelo menos período, para fazer diligências, ouvir testemunhas e requisitar provas, além das apresentadas pelo acusado. Terminado o prazo, os parlamentares se reúnem e decidem se enviam ou não a ação ao plenário.

Acatado o pedido de cassação, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é o último passo antes de o plenário deliberar. Na sessão seguinte da Comissão de Ética, o trâmite do processo é analisado para avaliar se seguiu as regras legais e se foi garantido o amplo direito de defesa.

Ultrapassada essa etapa, o plenário se reúne na sessão seguinte para definição do destino do parlamentar acusado. Para que o mandato seja cassado, são necessários 13 votos – maioria simples. A decisão é tomada em votação aberta.

Seminário PEC 6/2019 – Os Impactos da Reforma da Previdência Social

 seminario

 Convidados:

  • Bráulio Cerqueira
    Secretário Executivo do Sindicato Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle – UNACON
  • Floriano Martins
    Presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – ANFIP
  • Larissa Benevides
    Representante do Fórum Nacional de Carreiras Típicas de Estado – FONACATE
  • Rogério Marinho
    Secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia
  • Marli Rodrigues
    Presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília – SindSaúde
  • Leonardo Rolim
    Secretário de Previdência do Ministério da Economia
  • Rosilene Corrêa
    Representante do Sindicato dos Professores do Distrito Federal – SINPRO

PCDF investiga Robério por assinatura em folha de ponto durante viagem

Metrópoles – Em pelo menos quatro oportunidades, em 2018, a presença do deputado foi registrada enquanto ele estava nos Estados Unidos

 

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu um inquérito para investigar o distrital Robério Negreiros (PSD). O objetivo é apurar a denúncia de a assinatura do deputado aparecer na folha de ponto do plenário da Câmara Legislativa (CLDF), em pelo menos quatro ocasiões, quando ele estava fora do país. O Metrópoles apurou que as pessoas envolvidas serão intimadas nos próximos dias.

O caso está sob responsabilidade da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes Contra a a Administração Pública (Cecor). O inquérito corre em sigilo.

Metrópoles teve acesso à denúncia encaminhada ao órgão de controle. Segundo a acusação, na primeira quinzena de novembro de 2018, Robério Negreiros viajou com a família para Orlando. As fotos anexadas ao caso registrariam a família em restaurantes no local.

À denúncia também foram juntadas as notas taquigráficas e as imagens da íntegra das sessões. Além disso, o documento contém os atos da Mesa Diretora de nº 76 ao 86, assinados pelos demais membros da Mesa, entre 7 e 13 de novembro, publicados sem a assinatura do parlamentar. Por fim, o demonstrativo da folha de pagamento no site da CLDF demonstraria que Robério recebeu remuneração integral no período.

A responsabilidade de aferir o ponto dos distritais é da Diretoria Legislativa, ligada ao Gabinete da Mesa Diretora (GMD). Todos os dias de sessão (terças, quartas e quintas), os deputados precisam ir ao plenário para assinar a folha.

Caso não compareçam, eles podem explicar as ausências à diretoria, que submete a justificativa à Mesa Diretora. O colegiado é formado por cinco distritais, entre eles o próprio Robério, que é o segundo-secretário da Casa. As faltas sem justificativas podem resultar no corte do ponto e em descontos nos salários dos deputados distritais.

Respostas
Por meio de nota, a assessoria de Robério Negreiros credita as denúncias ao Sindicato dos Servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas do DF (Sindical), e o político se diz perseguido. Segundo ele, o motivo é a decisão de implementar o ponto eletrônico para servidores de carreira, deixando de fora parte dos comissionados em gabinetes.

Sobre os episódios, o texto destaca que, “no período informado, não houve sessões deliberativas”. “Se houve algum erro formal, serão apurados”, conclui a assessoria.

Em nota, a Câmara Legislativa informou que o caso ocorreu na legislatura passada, e ainda está reunindo informações para se manifestar.

O Sindical, por sua vez, afirmou que analisa se entrará com alguma ação contra o parlamentar.

A luta pelo ponto para todos continua!

Reunidos no hall de acesso ao plenário, na terça-feira (21), os servidores se manifestaram, mais uma vez, contra o ato discriminatório da Mesa Diretora da Câmara Legislativa que determina o registro eletrônico de frequência “ponto eletrônico” apenas para os servidores da área administrativa.
Durante a mobilização, o primeiro-secretário da Casa, deputado Iolando, informou que o assunto será discutido na próxima reunião da Mesa Diretora e garantiu à categoria que o sindicato terá espaço para fazer suas contribuições ao Ato da Mesa Diretora nº 36/2019 que trata da implementação do controle de ponto na Casa.
A deputada Arlete Sampaio, que havia se abstido de posicionamentos a respeito, dessa vez, afirmou ser contra o registro eletrônico de ponto. Reforçando o compromisso assumido na semana anterior, o deputado Leandro Grass falou sobre a desigualdade da regra. “Eu convido todos os parlamentares para que façam uma discussão mais ampla e com a participação dos servidores para chegarmos a um ponto de consenso e não apenas a uma imposição onde alguns obedecem e outros não”, afirmou. O deputado Valdelino Barcelos também declarou seu apoio ao sindicato. Pelo menos metade dos deputados
é contrária a redação do AMD 36/2019.
Em assembleia realizada no mesmo dia, os servidores formaram uma comissão que, juntamente com a diretoria do Sindical, elaborará encaminhamentos para serem a presentados à Mesa Diretora. Foi decidido ainda que tal comissão será responsável por elencar os pontos de fragilidade contidos na regulamentação do ponto eletrônico e elaborar questões para serem respondidas pela Diretoria de Recursos Humanos da Casa, nos dias 22, 23 e 24 de maio conforme o Memorando Circular nº 03/DRH.