Funcionária de distrital vence licitação para vender pão de sal ao BRB

Katyane Soares, que ocupa cargo especial no gabinete de Robério Negreiros, fechou contrato para fornecer o produto por R$ 144 mil em 2019.

Uma funcionária lotada em gabinete na Câmara Legislativa (CLDF) abocanhou contrato para fornecer pão francês ao Banco de Brasília (BRB) em 2019. Registrada na Receita Federal como única sócia da Kbas Comércio de Produtos de Limpeza Eireli, Katyane Borges de Alarcão Soares ocupa cargo especial na equipe do deputado distrital Robério Negreiros (PSD).

O extrato do contrato, no qual Katyane aparece como representante da Kbas, foi publicado em 9 de janeiro de 2019 no Diário Oficial do DF (DODF). A empresa da servidora deverá entregar 12.144 quilos de pão de sal. Serão oito endereços do BRB atendidos entre 2 de janeiro e 31 de dezembro, pelo valor de R$ 144.513,60, segundo o edital da licitação.

Serão 46 quilos por dia – 1.012 quilos por 22 dias ao mês, sem levar em conta fins de semana. Considerando os dias úteis do ano, o investimento diário será de R$ 566,72.

Atualmente, o BRB tem um contrato milionário com a empresa da família de Robério, a Brasfort. O acordo, de R$ 31,7 milhões, tem validade de 30 meses, prazo que se encerra em 1º de agosto de 2019. A Brasfort presta serviços de vigilância e segurança armada.

Metrópoles esteve no endereço da

ninguém estava no local.

A reportagem ligou para o gabinete de Robério, mas a atendente informou que Katyane já tinha ido embora. A assessora não atendeu nem retornou os contatos telefônicos feitos ao celular da servidora, que  foi promovida em 15 de agosto de 2018: ela saiu de um cargo CL-01, cuja remuneração é R$ 3.850,56, para função CL-03, com salário de R$ 4.753,77, conforme tabela de salários da Câmara Legislativa.

Múltipla
Embora o nome empresarial indique que a Kbas fornece produtos de limpeza, há 29 atividades econômicas secundárias registradas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) junto à Receita Federal, o que não é ilegal, segundo o próprio órgão.

O “carro-chefe” do estabelecimento é o comércio atacadista de farinhas, amidos e féculas. Entretanto, a Kbas fornece um leque de serviços, incluindo venda de carnes bovinas, equipamentos de informática, materiais de construção, jornais e revistas e fornecimento de transporte rodoviário de mudanças.

bastante superior às outras, de R$ 500 mil.

A primeira convocada, a VL Honório da Silva, apresentou lance de R$ 249,9 mil. Porém, a empresa foi desclassificada porque não anexou documento hábil para comprovação da qualificação econômico-financeira. Por isso, a Kbas foi chamada.

Gerente da VL Honório da Silva, Maurício José conta que a empresa não apresentou recurso no prazo previsto, mas cobra esclarecimentos sobre a licitude da participação da concorrente. “Tem quem que consultar para saber se essa empresa poderia participar”, diz.