Distrital Robério Negreiros é alvo de operação do MP por suspeita de fraude em folha de ponto

G1 DF – Uma operação do Ministério Público (MPDFT), com apoio da Polícia Civil do Distrito Federal, fez buscas no gabinete do deputado distrital Robério Negreiros (PSB), na manhã desta quinta-feira (4).

O MP investiga a suspeita de fraude em mais de 50 folhas de ponto da Câmara Legislativa (CLDF) assinadas pelo parlamentar. Em maio, a TV Globo mostrou que Negreiros assinou a lista de presença na Casaenquanto estava em viagem a Orlando, nos Estados Unidos.

Em nota, o deputado afirmou: “Temos certeza que sairemos fortalecidos no final do processo, quando a verdade será restabelecida e os covardes denuncistas e mentirosos desmascarados”.

Além do político, a operação desta quinta (4) – batizada de “Absentia” (que em latim significa ausência) – apura se Negreiros contou com a ajuda do servidor Arlécio Alexandre Gazal. A sala onde ele trabalha também foi alvo de buscas.

Arlécio trabalha no setor responsável pela marcação de presença dos deputados. O G1 tenta localizar a defesa do servidor.

Se a suspeita se confirmar, segundo o MP, tanto o deputado quanto o servidor podem ser acusados pelos crimes de peculato e de falsidade ideológica.

A presidência da CLDF informou que “forneceu todas as informações solicitadas e está colaborando com o Ministério Público, com a Polícia Civil e com o Tribunal de Contas desde o início das investigações”.

No comunicado, a Casa apontou que vai aguardar a conclusão das apurações para “adotar as medidas cabíveis no âmbito da Poder Legislativo”.

No fim de maio, a Polícia Civil esteve na CLDF para apreender documentos. No mesmo dia, o distrital entrou com um pedido de licença médica de 15 dias, alegando “estresse”. Ele só voltou ao trabalho em 25 de junho, após 30 dias de ausência

Suspeitas de fraude

O deputado Robério Negreiros ficou longe da Câmara Legislativa durante 30 dias. Ele estava ausente desde o fim de maio, quando a TV Globo mostrou a assinatura dele em folhas de ponto nas mesmas datas em que publicava, nas redes sociais, fotos de uma viagem ao exterior.

parlamentar voltou às atividades na Casa em 25 de junho. Na ocasião, ele disse que o controle de presença dos deputados é falho e que não agiu de má fé ao assinar as folhas sem estar presente.

“Nenhuma sombra, indício, evidencia ou mostra má fé.”

“Ao contrário, o padrão do meu comportamento corrobora a boa fé nesse episódio. Sou eu que, antes e posteriormente a esse episodio, venho cobrando o ponto eletrônico, que existe em vários parlamentos, como Senado e Câmara Federal.”

Após a divulgação do caso, o distrital apresentou quatro atestados médicos seguidos e ficou fora dos trabalhos na Casa a partir de 27 de maio. A justificativa dos dois primeiros, de 15 e 4 dias, era “estresse”.

Enquanto estava fora do trabalho, o parlamentar foi visto em Arraial D’Ajuda, na Bahia, onde tem uma casa. Segundo a assessoria de imprensa de Negreiros, a viagem foi uma recomendação médica.

No dia 17 de junho, quando deveria voltar à CLDF, Negreiros apresentou um novo atestado, de quatro dias, para tratar do nervo ciático.

Processo arquivado

O processo de quebra de decoro parlamentar, que havia sido aberto contra ele após representação do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), acabou sendo arquivado pela Mesa Diretora no dia 18 de junho, em acolhimento a um parecer da procuradoria-geral da Câmara.

O parlamentar disse que os valores pagos a mais – como se ele tivesse trabalhado nos dias em que esteve ausente – foram descontados do contracheque dele.

“Se eu soubesse dessa falha, eu mesmo determinaria esses descontos, até mesmo porque não precisaria colocar a assinatura em três sessões por uma viagem que foi programada pela minha esposa e acabou gerando todo esse desconforto”, disse na tribuna.

Ministério Público de Contas também ‘de olho’

O arquivamento da representação encerrou o processo contra Robério Negreiros na Câmara Legislativa, mas o caso continua a ser investigado pelo Ministério Público de Contas.

“Continuarei me defendendo nas esferas competentes dentro do devido processo legal, comprovando assim a ausência de má fé da minha parte”, disse o deputado durante a sessão desta terça (25).