ÁUDIOS: distrital Iolando é investigado por suposto pagamento de salários a cabos eleitorais

O Ministério Público do Distrito Federal investiga áudios contendo denúncias contra o deputado distrital Iolando Almeida (PSC). O parlamentar é suspeito de pagar “salários informais” a eleitores que participaram da campanha dele em 2018.

O distrital, nomeado para chefiar a recém-criada Secretaria Extraordinária da Pessoa com Deficiência, disse à TV Globo que é alvo de chantagem: “Não tinha relação pessoal com ele (o denunciante), não. Ele é um cara que faz barulho na cidade e foi se aproximando da minha campanha, das reuniões, dos eventos, até que eu pedi para que ele se retirasse, por causa da conduta manchada que ele tinha”.

“Não houve esse tipo de acordo, não houve esse tipo de pagamento. Isso é uma inverdade.”

Já cabos eleitorais afirmaram que o deputado prometeu cargos no alto escalão do governo do DF quando fosse eleito. Segundo eles, quem não fosse nomeado no governo receberia pagamentos informais.

Um dos um supostos beneficiados pela promessa é José Carlos Lelis, conhecido como Zé do Gás. O morador de Brazlândia, no DF, trabalhou na campanha dele no ano passado.

Segundo Iolando, no entanto, Zé do Gás “saiu antes da eleição”. O deputado disse que entrou com uma ação na Justiça contra Zé do Gás.

Nos áudios em que a TV Globo teve acesso, Zé do Gás aparece em conversa com o chefe de gabinete de Iolando, Samuel Rodrigues.

Veja a transcrição dos áudios

De Zé do Gás para Samuel Rodrigues: “Você se lembra que o combinado com o Iolando era pra ter sido dia 5, no quinto dia útil, que eram os pagamentos da administração, depois, mudou, por que disse que seria melhor fazer esse pagamento pela Câmara, que seria dia 20. (…) E o compromisso que foi firmado foi nós três, eu, você e Iolando, e é isso que tem que ser feito. Isso que tem que ser cumprido”.

De Samuel para Zé do Gás: “Eu não tô entendendo não, cara. O que tá acontecendo aí? É tática pra cima de mim? Não tô entendendo, que que é, que que tá pegando?”

De Zé do Gás para Samuel: “(…) Pra cima de mim não vai funcionar, beleza? Foi combinado 5 mil (reais). Desde o primeiro mês, falou que ia inicialmente estar repassando 4 (mil reais), agora Marcelo deixou só 2 (mil reais) lá no depósito e eu tô ligando para ele e ele não atende”.

De Samuel para Zé do Gás: “Pode esquecer, Zé Carlos. Esse assunto aí, nunca que ele vai falar por telefone, nunca, nunca, nunca. Pode esquecer, pode esquecer, tem que encontrar com ele pessoalmente”.

De Zé do Gás para Samuel: “Eu entendo que ele não deve falar por celular, não deve ligar. Por isso que eu mandei mensagem, entendeu? (…) Quando o Iolando me convidou para ir pro grupo dele, foi combinado que ele mim daria um cargo de primeiro escalão, como eu vi que ele tava nessa dificuldade, de cargos, eu propus pra ele essa situação. (…) Eu encontrei com ele lá na padaria, na rodoviária, depois voltamos a falar por duas vezes, na administração da Brazlândia, e por fim a gente se acertou aí. (…) Então, não foi eu que pedi, não. Eu apresentei uma proposta pra ele e ele aceitou. Entendeu? É uma dívida que ele tem comigo desde quando eu assumi o compromisso de ficar no grupo dele”.

De Samuel para Zé do Gás: “Ô, Zé Carlos, as coisas não é assim do jeito, da forma que você pensa e tal. A gente tem que adaptar as situações. (…) Você pediu o valor, você pediu o valor. Mas não que ele te ofereceu esse valor. Que isso fique bem claro, entendeu? (…) Agora, quanto ao telefone aí, ele não atender, bicho, agora tá loucura total a vida dele. E, nesse momento que você deve tá tentando falar com ele, ele tá numa audiência pública lá na Vila Planalto. Com certeza ele não vai te atender”.

Das eleições à secretaria

Em outubro de 2018, Iolando foi eleito com 13 mil votos, tornando-se o único distrital com deficiência física eleito para a CLDF. Nesta quarta-feira (11), ele foi nomeado chefe da Secretaria da Pessoa com Deficiência.

Até então, as políticas voltadas ao setor estavam subordinadas à Secretaria de Justiça.

Com a ida de Iolando para o Palácio do Buriti, o lugar seria assumido, em tese, pelo primeiro suplente, Daniel de Castro (PSC), atual administrador de Vicente Pires. No entanto, Daniel deve continuar na função, abrindo espaço na Câmara Legislativa para Pedro Paulo de Oliveira (PSC), que recebeu 10.048 votos nas eleições de 2018.

Gabriel Luiz

G1-DF