Aglomerou, tem que vazar!

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Vou me apropriar da expressão popular “Ajoelhou, tem que rezar”, cujo significado é: você não pode desistir de algo que começou ou inventou, e que tem que concluir o que deu início. Assim, faço uma paródia incluindo o poderoso verbo vazar, no sentido de ir embora: vou vazar, suma daqui, ou ainda a imprecação Sai, Vaza!!! Portanto, dou a esse artigo o título de Aglomerou, tem que vazar, porque acho ser esse o comportamento adequado para o momento que estamos vivendo. Assim, não se acanhe quando você estiver em algum lugar, seja no supermercado, na farmácia ou em ambientes fora de casa, nessa quarentena obrigatória, lembre-se de que, se houver ao seu redor algo em torno de cinco pessoas, não deixe de se afastar, de dar o fora imediatamente, não dando chance alguma de o vírus fazer trabalho dele. Ou seja, adote o grito de paz, “Aglomerou, tem que vazar”! Deixe que os loucos que fazem ajuntamentos arquem com as consequências de suas escolhas.

Embora o vírus não tenha ideologia, não seja nem de direita nem de esquerda, muito pelo contrário, o irresponsável que ocupa a Presidência da República do nosso país resolveu copiar todas as ações do psicopata genocida massacrado derrotado e humilhado que ocupa a Presidência dos EUA. Dessa forma todos os imbecis que o seguem negam a existência da letalidade do vírus e são contra o uso de máscara e o isolamento social, atribuindo a pandemia a uma conspiração da esquerda mundial que seria comandada pela China e, pasmem, Bill Gates. Assim, negar as centenas de milhares de mortos passou a ser o comportamento de muitos que se definem ideologicamente de Direita. Claro que a maioria deles não passa de idiotas, de loucos, de ignorantes, mesmo assim muito perigosos. Há também os ingênuos, que estão em todos os lugares e são muitas vezes mais perigosos do que os perversos, já que costumam abrir a porta para o Cavalo de Tróia.

Não há dúvida de que todo mundo está saturado, cansado de tantas medidas restritivas que tornaram a vida um fardo a ser carregado e não um prazer a ser desfrutado. E é preciso estudar, trabalhar, produzir, enfim, viver, ganhar a vida. Pois nem todos são funcionários públicos ou trabalham no conforto de suas casas, sendo necessário acordar e enfrentar o mundo perigoso e asfixiante do lado de fora. Entre esses, estão os profissionais de saúde, que enfrentam a batalha de frente todos os dias, convivendo e curando os doentes, e tendo que se despedir daqueles que partem para a “Viagem misteriosa”.

Aglomerar nesses dias, fazer comemorações, festejos, juntar-se a multidões é fazer um pacto com a dor, que pode não ser a sua, mas dos mais frágeis, mais velhos, com doenças do coração e outras comorbidades. Saiba que sair de casa é fazer o vírus circular, se você não sai, ele não circula, e assim não há contágio. Lembro que há, por mais incrível que pareça, uma passagem na peça Júlio César, de Shakespeare, que remete a multidões e, acreditem, à peste. A cena se dá na rua, enquanto Júlio César passeia em meio à multidão eufórica. Eis a narrativa de Casca, um senador invejoso: …”E assim, o povaréu gritava e o aplaudia com as mãos calosas, atirando para cima os gorros e bonés sebosos e exalando tal quantidade de alento pestífero, que César ficou asfixiado, pois desmaiou e tombou no chão. Quanto a mim, não tive coragem de rir, com medo de abrir a boca e de tragar o ar pernicioso”.

É isso que devemos fazer: evitar tragar o ar pestífero e pernicioso, que está nas ruas, que contagia e nos destrói. Devemos ficar em casa o máximo de tempo possível e sair somente para fazer o necessário, já que uma luz acende no fim do túnel, pois logo, logo, no máximo em 60 dias, uma vacina virá nos imunizar e acalmar. E a vida voltará a ser um prazer. Até lá, que seja este o nosso lema: “Aglomerou, tem que vazar”!

 

Theófilo Silva

Coluna Quinto Ato – Jornal de Brasília